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Palmas, 25 de agosto de 2019 04:02

 

Notícia

Profissões ligadas à tecnologia terão alto crescimento até 2023, aponta SENAI

12/08/2019 - 10h18
 
 

Mapa do Trabalho Industrial mostra que ocupações como condutores de processos robotizados vão criar novas vagas em ritmo acelerado. Estudo também aponta as áreas que mais vão demandar qualificação de profissionais.

Profissões ligadas à tecnologia estão entre as que mais vão crescer nos próximos anos, de acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 2019-2023. O trabalho é elaborado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) para subsidiar a oferta de cursos da instituição.

De acordo com o levantamento, estima-se que a ocupação de condutor de processos robotizados apresentará a maior taxa de crescimento percentual do número de empregados para o período: 22,4% de aumento nas vagas disponíveis, enquanto o crescimento médio projetado para as ocupações industriais será de cerca de 8,5%. Esse resultado reflete as mudanças tecnológicas e a automação do processo de produção, que demandará cada vez mais profissionais na área de implementação de processos robotizados.

O Mapa também prevê que o Brasil terá de qualificar 10,5 milhões de trabalhadores em ocupações industriais nos níveis superior, técnico, qualificação profissional e aperfeiçoamento até 2023. Essas ocupações têm em sua formação conhecimentos de base industrial e por isso são oferecidas pelo SENAI, mas esses profissionais podem trabalhar tanto na indústria quanto em outros setores.

As áreas que mais vão demandar formação profissional são transversais (1,7 milhão), metalmecânica (1,6 milhão), construção (1,3 milhão), logística e transporte (1,2 milhão), alimentos (754 mil), informática (528 mil), eletroeletrônica (405 mil), energia e telecomunicações (359 mil). Profissionais com qualificação transversal trabalham em qualquer segmento, como profissionais de pesquisa e desenvolvimento, técnicos de controle da produção e desenhistas industriais, que atuam em várias áreas.

A demanda por qualificação prevista pelo Mapa inclui, em sua maioria, o aperfeiçoamento de trabalhadores que já estão empregados e, em parcela menor (22%), aqueles que precisam de capacitação para ingressar no mercado de trabalho. Essa formação inicial inclui a reposição em vagas já existentes e que se tornam disponíveis devido a aposentadoria, entre outras razões.

CRESCIMENTO – Em relação aos novos empregos, o Mapa do Trabalho Industrial aponta que as maiores taxas de crescimento serão de ocupações que têm a tecnologia como base. Além dos condutores de processos robotizados, estão pesquisadores de engenharia e tecnologia (aumento de 17,9%); engenheiros de controle e automação, engenheiros mecatrônicos e afins (14,2%); diretores de serviços de informática (13,8%); operadores de máquinas de usinagem CNC (13,6%), etc.

O número de empregos criados nessas ocupações ainda é baixo em relação ao total de empregados no Brasil, mas o crescimento acelerado mostra que profissões com base tecnológica são tendência no mercado de trabalho. “O mundo vive a 4ª revolução industrial e o levantamento mostra que o Brasil, mesmo diante das dificuldades econômicas, está se inserindo aos poucos na Indústria 4.0”, avalia o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi.

“O SENAI já está preparado para formar os profissionais para essas áreas, que, com a qualificação adequada, terão mais oportunidades de conseguir empregos”, complementa.

OCUPAÇÕES QUE MAIS VÃO CRESCER ATÉ 2023

Ocupação  Formação Novos empregos (2019 a 2023) Total de empregados em 2023 Taxa de crescimento até 2023
Condutores de processos robotizados Qualificação + 200h 251 1.370 22,4%
Técnicos em mecânica veicular Técnica 1.311 7.890 19,9%
Engenheiros ambientais e afins Superior 566 3.482 19,4%
Pesquisadores de engenharia e
tecnologia
Superior 1.991 13.108 17,9%
Profissionais de planejamento,
programação e controles logiísticos
Técnica 373 516 17,3%
Montadores de sistemas e estruturas
de aeronaves
Técnica 281 2.089 15,5%
Engenheiros agrimensores e
engenheiros cartógrafos
Superior 154 1.169 15,2%
Gerentes de operações de serviços em
empresa de transporte, de comunicação e de logística
(armazenagem e distribuição)
Superior 1.373 10.489 15,1%
Engenheiros de alimentos e afins Superior 94 721 15,1%
Instaladores e reparadores de linhas e
cabos elétricos, telefônicos e de comunicação de dados
Qualificação + 200h 14.367 110.367 15,0%
Engenheiros de controle e automação, engenheiros mecatrônicos e afins Superior 327 2.633 14,2%
Técnicos em eletromecânica Técnica 1.788 14.577 14,0%
Diretores de serviços de informática Superior 130 1.072 13,8%
Operadores de máquinas de usinagem CNC Qualificação + 200h 5.356 44.653 13,6%
Supervisores de manutenção eletromecânica Técnica 915 7.881 13,1%
Técnicos mecânicos na manutenção de máquinas, sistemas e instrumentos Técnica 3.560 30.708 13,1%
Pesquisadores das ciências naturais e exatas Superior 205 1.839 12,5%
Desenhistas projetistas da eletrônica Técnica 411 3.713 12,5%

Atento a dinâmica do mercado de trabalho, o SENAI lançou 11 cursos de aperfeiçoamento em tecnologias da Indústria 4.0, como ciber segurança e internet das coisas (Iot), assim como oferece, em parceria com a Microsoft e a Amazon, cursos de inteligência artificial e de computação em nuvem. Informações e inscrições podem ser feitas no site do Mundo SENAI. Além disso, a instituição reformula todos os seus cursos para incluir os conhecimentos que serão exigidos dos profissionais do futuro.

CAPACITAÇÃO – Quanto às necessidades de qualificação, o Mapa aponta que os profissionais com formação técnica terão mais oportunidades na área de logística e transporte, a qual exigirá a capacitação de 495.161 trabalhadores nesse período, assim como na metalmecânica, que vai precisar qualificar 217.703 pessoas. De acordo com especialistas responsáveis pela elaboração do estudo, a área de logística destaca-se, entre outros fatores, pela necessidade de aumentar a produtividade por meio da melhoria dos processos logísticos.

Na opinião do diretor-geral do SENAI, conhecer o mercado de trabalho, qualificar-se adequadamente e se manter atualizado por meio de cursos de aperfeiçoamento são maneiras de aumentar as chances de conseguir e manter um emprego. “É importante também que as pessoas conheçam as tendências para, se desejarem, adequar seus projetos de vida às necessidades do mundo do trabalho”, avalia Lucchesi.

Cursos técnicos têm carga horária entre 800h e 1.200h (1 ano e 6 meses) e são destinados a alunos matriculados ou egressos do ensino médio. Ao término, o estudante recebe um diploma reconhecido pelo Ministério da Educação. Segundo o levantamento, seis áreas se destacam na demanda por formação de técnicos:

Áreas com maior demanda por formação - Técnicos

Áreas

Demanda 2019-2023

Logística e Transporte

495.161

Metalmecânica

217.703

Energia e Telecomunicações

181.434

Eletroeletrônica

160.409

Informática

160.027

Construção

120.924

 

Algumas profissões transversais permitem ao profissional exercer funções em quase todas as áreas e setores econômicos. O estudo mostra as vinte ocupações que mais exigirão formação entre 2019-2023. No topo da lista está o técnico de controle da produção, ocupação tipicamente industrial responsável pelo planejamento de processos produtivos, que pode trabalhar também no comércio e no setor de serviços. Trata-se de um profissional com visão sistêmica do fluxo produtivo e capacidade de gerenciamento, características cada vez mais exigidas pelo mercado de trabalho.

Já os cursos de qualificação são indicados a jovens ou profissionais, com escolaridade variável de acordo com o exercício da ocupação, e buscam desenvolver novas competências e capacidades profissionais. Ao final, o aluno recebe um certificado de conclusão. As áreas com maior demanda por trabalhadores com nível de qualificação, de acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 2019-2023 serão:

Áreas com maior demanda por formação – Qualificação (+200h)

Áreas

Demanda 2019-2023

Metalmecânica

850.770

Alimentos

317.212

Confecção e vestuário

231.669

Eletroeletrônica

215.712

Energia e Telecomunicações

177.842

Química, Borracha, Petroquímica, Petróleo, Gás e Fármacos

116.851

 

 

Áreas com maior demanda por formação – Qualificação (-200h)

Áreas

Demanda 2019-2023

Transversais

1.066.159

Logística e Transporte

1.018.960

Construção

994.869

Metalmecânica

479.764

Alimentos

403.572

Couro e Calçados

254.626

Gestão

163.379

 

De acordo com especialistas do SENAI, a recuperação econômica esperada para os próximos anos, embora lenta, ainda vai requerer que os setores produtivos invistam em bens de capital, o que impulsionará a demanda por formação na área de metalmecânica.

Existem também ocupações em alta que exigem qualificação profissional. Segundo o Mapa, entre as vinte profissões mais em alta nos próximos anos, estão mecânicos de manutenção de veículos e preparadores e operadores de máquinas-ferramenta convencionais. 

Áreas com maior demanda por formação – Superior

Áreas

Demanda 2019-2023

Informática

368.057

Gestão

254.811

Construção

80.992

Metalmecânica

56.437

Produção

40.283

METODOLOGIA - O Mapa do Trabalho Industrial é elaborado a partir de cenários sobre o comportamento da economia brasileira e dos seus setores; projeta o impacto sobre o mercado de trabalho e estima a demanda por formação profissional com base industrial (formação inicial e continuada). As projeções são desagregadas no campo geográfico, setorial e ocupacional, e servem como parâmetro para o planejamento da oferta de cursos do SENAI.

Na opinião de Rafael Lucchesi, conhecer as necessidades do mercado de trabalho é fundamental para o planejamento da oferta de cursos. “O SENAI é referência em educação profissional porque está alinhado com as necessidades da indústria e mantém seus cursos atualizados com o que existe de mais avançado em termos de tecnologia”, explica.

Os cursos do SENAI permitem formação de excelência, como comprova a participação de seus ex-alunos em competições mundiais, como a WorldSkills. Neste ano, 63 jovens brasileiros, dos quais 56 preparados pelo SENAI, vão participar, entre 22 e 27 de agosto em Kazan, na Rússia, do torneio, que é considerado a olimpíada de profissões técnicas. Mais de 1.600 jovens de mais de 60 países participam da disputa. O Brasil já foi a delegação campeã em 2015 e obteve o segundo lugar no pódio na última edição, há dois anos, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

 

 


 
 
 
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